terça-feira, 31 de agosto de 2010

Admirável Mundo Novo

Conflito subsistente anti-heróico
nada de palavras, nada de poesia
apenas exercício hipnopédicos
das frases feitas em caixas de som
pros bebês feitos em bocais
nascidos sem dor, predestinados à morte
Voz é humano, é hipnose
Cegaram os olhos abertos
padronizaram nomes
inventaram soma
padronizaram cores
deram soma
padronizarão um grama
um grama de ração humana
pros robôs, humanos industriais
Nada de moral, isso é imoral
Valores são caros
Amores são antigos
Família é proibido
Livros estão perdidos
trancados em juízos
Solidão é um perigo
Pensamento não germina
Ford não permite, Oh, não
desrespeito à convenção
Dê a ração, dê a ração
pra esse animal instrumental
sem doença e sem amor
ainda não são robôs
eles são robôs por alguma razão
Deram um grama, mas o Selvagem
não aceitou
Ele conhecia o amor e terminou
na solidão

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Raiva e Medo

A mente dá nó quando se tem
tão pouco tempo e um leque de
opções e possibilidades pra
somente uma conclusão, que não é certa.
O coração, nesses momentos, só conhece
a aflição e o medo.
Medo do nada, do tempo
E o tempo não te dá nada, nem mesmo tempo.
É ai que entra a raiva

domingo, 29 de agosto de 2010

Eu sinto falta
da tua poesia
que completava
a minha poesia
Eu sinto muito

Odara

Sou tão leve
que o vento,
meu amigo,
me carrega
e me leva
pro longe
Só assim
vejo do
alto quão
pesado são
os homens

sábado, 28 de agosto de 2010

Sorrisos

Sorriso
contagioso, radioativo
efeito dominó constante
prendidos em soluços
Quando não sai pela boca
é o olhar quem rir
Ninguém se contém em pé
Que delicia esses sorrisos
gargalhadas entre amigos

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Caso Imoral

Esse estranho amor
vive feliz sendo feito
de palavras sujas
Dois vadios queimando
o corpo com o mesmo fogo
que acendem o cigarro
Imprestáveis, jogados
no lixo, esbaldam-se
na podridão dessa
profusão de sonhos
Cospem a poesia que
rasga a garganta com
palavras brutas, sujas de amor
Desse amor que é como de um marginal
que vive vagando pelo caos e
sente-se recompensado com a dor
Esse amor afoga-se na saliva
das frases feitas de doçuras
mas deixam a língua amarga
satisfeita com a compostura
Esse amor é pureza total
orgasmo é mais que carnal
é puro nirvana
Esse amor não quer ser
como as cinzas imundas do que
restou quando tudo se queimou
Esse amor é clandestino demais
pra se expor à luz do dia
é gato de rua, faz barulho
cantando pra lua à noite no telhado
Esse amor é amor e amor
ama essa dor porque faz dela
mais uma poesia clichê
que é o amor, esse amor

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Jean Charles

Meu nome é Charles, Jean Charles
e eu fugi pr'uma nova pátria
onde tem red bus
fui pra ganhar umas pounds,
but I have not forgotten of Brazil
Meu nome é Charles, Jean Charles
e eu gosto de pão de queijo, uai!

Seu nome era Charles, Jean Charles
Fugiu da falta buscando exímio
pobre doce homem-menino
padeceu na dura amargura do fim
desse triste seco fim
His name was Charles, Jean Charles!
You listen me, now, damn?
Quantos mais sangue será preciso
pra demonstrar esse podre poder?
His name was Charles
mas não foi o príncipe
Seu nome é Charles, Jean Charles
mas não pôde aceitar suas sinceras desculpas
não teve as libras em sua conta
Seu nome era Charles, Jean Charles
que embarcou no metrô da linha errada
da Londres que é sempre limpa
His name was Charles, mas não era inglês
E foi por isso, talvez

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sem palavras

O encanto despedaça
dissipa quando a
voz se cala num
silêncio importuno
Fala alto, esquece
quando o escuro une
da forma mais harmônica
Sem pressa do dia
dorme com a cabeça no peito
Sempre quis as palavras de um jeito diferente
Aproximei minha idéia do meu querer
Junto pensaram e logo tudo se transformou

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Neo-tropicália pt. II

A deidade do torpor libera um ardor
integra a poesia que ria com fervor
calor impondo temor, alcool no motor
Tentanto supor com maior vigor
quem sugou o sabor do rumor que aflorou
Vigorou o doutor que me deixou a compor

Neo-tropicália

Eu-lírico onírico satírico e empírico,
da calma alma na lama da cama,
de palavra para a lavra,
viva a tentativa ativa alternativa que saliva e deriva
o penhor do louvor ao torpor com fervor.


Feito por Pedro Henrique, quando o súbito prazer da poesia
tropicalista bateu-lhe à cabeça como a brisa do vento vagando
na mente.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Estranho distúrbio

Que absurda é você
saudade
Habita-me assim
de súbito
Não diz do quê,nem
a quem
Aflige-me da forma
mais louca
Ando a perguntar
corro
Gritando com a voz
já rouca
Eu aceitaria se eu
soubesse
Ah! mas se eu soubesse
não seria
não estaria
só cantaria

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pitchulismo

Um futuro próximo
um movimento livre
de pensamentos livres
de imaginação fértil
entregue às formas
da letra, cor e som
um movimento de suor contido
mas não inibido
um movimento invertido
pura façanha que cai no abismo
Me entreguei ao Pitchulismo

Never More

Com lágrimas forçadas
e palavras pensadas,
declaro-me sociopata
Guarda-roupa de mim,
com mofos e baratas
Jogada num canto
balsâmico do quarto
que me tranca em
prazeres dúbios
com cor, sem cor
de cor sapateio
ritmado com mentiras
verdadeiramente sinceras
Sem lágrimas forçadas
e palavras pensadas,
declaro-me humana
sentimentalista
pupila dilatada
sem mentiras

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Evaporação de sentimento

Todo processo tem que entrar em harmônia
Encosto meu amor na sua indiferença;
deixo tudo tépido, até que tiro o sol
por detrás das nuvens
Nos dias lindos e limpos,
foi ele quem aqueceu
Nunca, jamais tempo feio
Mas foi tanto verão que tudo evaporou

Transcrito

Exerço a função
do coração aguçado
que exige a exposição
dos pensamentos e dos
sentimentos intensos

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Clarear

Quando as palavras se escondem
pelo infinito das sinopses, eu choro
Sei que elas só aparecerão
quando eu abrir um novo dicionário
porque elas querem fazer par
com seus sinônimos e refutar
seus antônimos

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Tese

Barquinho,
navega pelos mares
que é vida
equilibra o que abriga
sem se perder na imensidão
Guarda o calor da luz
pra quando tudo estiver
escuro tomar um rumo
seguir sem frio
Surfa pelas ondas da vida
que sempre grande quer vencer
Sai vitorioso do Cabo das Tormentas
adormece com a esperança explícita,
a vontade de vencer
Vagando pela vida
indo à felicidade
Quem pilota? Quem tripula?
Nem todos sabem

domingo, 8 de agosto de 2010

Escapei pela brecha dos minutos

Coloco um fone e viajo
Entro em transe de sonhos acordados
Objetos, Pessoas, Paisagens
Conforme a música eu mudo
num mundo imaginário
Quem sou eu? O silêncio
O todo e o nada
A brisa que ecoa em ondas cerebrais
Tiro o fone, a viagem acaba
Só restam barulhos infernais

Zumbi

Seus sonhos foram dilacerados
Gritava ele por sussurros com a boca
ensaguentada totalmente em vão
O seguia chorando, vendo seu coração
roçar no asfalto com britas
uma dor estorneante!
Sentia seu rosto sendo rasgado pelo frio
sentia seu amor saindo pelas entranhas como suor
sentia a raiva dominar sua mente
e finalmente sentiu o aroma do medo dele
Andou em passos largos e tortos
agarrou-lhe pelos pulsos e
arrancou-lhe
um beijo
sincero
recíproco

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mel

Escorrego pelo teu corpo nu
me enveneno nesse doce olhar,
produto das abelhas
Na sua pele madeira avermelhada
construo minha casa, nosso elo
Tons, vários tons
quando sua voz sussurra
um estímulo proibido
para outros ouvidos
urro de prazer

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Impressionismo

Afaste-se de mim, Ser
e então verás os pingos
e borrões tomarem forma
Afaste-se! Impressione-se!
Sem nexo criativo
imaginário exposto
Afaste-se! A perfeição
nem sempre se enxerga
de perto

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fotografia

A imagem com luz
captada pela perfeição
Surrealista do olho externo,
junto à inteligência do interno:
abstrato que tomou forma
Fica guardada na memória concreta
mas nunca se apaga da interna que
sentiu fluir a idéia que se tornou
retrato

domingo, 1 de agosto de 2010

Futuro

Essa vontade de abraçar o sol
andar numa bicicleta de 4 rodas
cair na estrada cinza
conhecer gente bonita
gente perigosa
esse infinito
esse mar lindo
levantar essa poeira
Ah, essa barraca
essa mochila nas costas
carregando o peso dos sonhos
da fome
essa bagagem de amores
dos portos vários
em que ancorei
e jurei amor eterno
aos marinheiros viajantes
mal sabem eles que eu
sou também