sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Eu

Sou uma antítese
modernista e parnasianista
               Sou uma mentira
        não sou parnasianista
            nem sou duas caras
mas não consigo ser apenas uma

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Lixeiro

Cato todo o lixo da vida
               vivo reciclando
O que a muitos desinteressa
é a base para meu desenvolvimento
Enriqueço com o lixo dos outros
                invento sentimentos
                        vivo reciclando

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Caixa

Quando acordou naquela manhã, percebeu que a caixa estava aberta. A Caixa. Aquela que mantia lacrada, onde escondia (preferia a definição guardava) todos os seus sentimentos. Quem abrira a Caixa? Quem teve a ousadia de procurar a chave para abri-lá? Sabia onde estava tudo, tudo que precisava.Se precisasse de amor, de melancolia, de raiva, de felicidade, sabia em qual canto da caixa estava. Sabia exatamente onde ir buscar.
O que faria? Com ela aberta, seus olhos estavam abertos de medo. O medo importunava ao saber que tudo estava livre. Não possuía mais o controle. Quem abriu? Não! Não pode pensar, não pode sentir absolutamente nada enquanto não encontrasse outro cadeado. Mas o que estará fazendo agora o infeliz que assiste ao seu desespero? Por que o fez?Não sabe a aflição que causa? Aflição! Estou sentindo, não posso! Ladrão! Saberá onde está tudo, assumirá o controle, irá me manipular. Sentia o sangue correr freneticamente, sentia a intensidade das sinopses, sentia o medo entre a visão e o tato. Sentia!

Enquanto isso, vagando em sentimentalidades, o Larápio se divertia ao tocar os sentimentos. Era como cócegas, o fazia rir. Entendia o medo como adrenalina, a raiva como amor e sentia-se feliz, mais que nunca, ao perceber que fazia o vazio se preencher e sentir. Sentir!

Ainda pensando nas possibilidades, aproximou-se da caixa, vasculhou cuidadosamente cada espaço e levou um susto, um choque, como luz invadido com intensidade os olhos acostumados ao escuro, com a doce verdade: havia guardado o ladrão dentro da caixa, ao lado da chave.

sábado, 23 de outubro de 2010

Um jeito estranho de gostar

Descobri que o sentimento
não nasce e evolui
apenas com contato
Descobri que o sorriso
mais bonito não vem
do dente mais claro
Descobri que o olhar
sereno não precisa ser claro
Descobri que admiração
pode ser considerada paixão
Descobri que o acesso
pode tirar o encanto e deixar
somente a razão
Descobri muiio e não quero aproximação

sábado, 16 de outubro de 2010

Retrato

Apague as nuvens do céu
deixe-o livre e então
enxergue com clareza
o mergulho do pássaro
numa queda-livre
no azul do céu em degradê
encontrando o azul infinito
do mar que espelhou em
suas águas um retrato do Sol
para se aquecer

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cordas Vocais

A voz foi feita pra apoiar
pra encantar, pra dopar
o corpo de conforto
por isso, quando estiver
caindo num processo
imaturo e ilusionista
que te faz perder
o sentido da visão
segure-se nas cordas
das vozes e busque nelas
se prender
Amarre-se nas cordas vocais

domingo, 10 de outubro de 2010

Espírito Santo

Por algum motivo
o vento me trouxe
para cá
Por algum motivo
o vento quer me
levar de volta
para lá
Por algum motivo
meu coração não
sabe onde ficar

sábado, 9 de outubro de 2010

Adrenalina

Caminho com pedras:
perigoso e excitante
é a adrenalina quem
impulsiona o sangue
bombardeia o corpo
entope veias, artérias
rompe os frágeis capilares

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Negro da Pupila

Numa montanha, enquanto o sol se deitava preguiçosamente, disse:
- Sorria e olhe em meus olhos.
Olhou e sorriu sinceramente
-Viu?
-Sua pupila dilata
-É que eu te amo. Queria poder ver a sua.
-Meu olho é escuro e misterioso feito o universo.
-Tem Sol no universo, e ele aquece e clareia tudo. Se eu eu trouxer o Sol mais brilhante...
Naquele momento o Sol invadiu o olhar e o preto se tornou o castanho mais claro que pôde. Sorriu, e quando percebeu, o castanho se tornara preto novamente, mas desta vez foi de tanto que a pupila dilatou.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Primavera, Verão

Já se pode ver a flores
o dia mais vivo, o verde-cana
o vento tem sabor de passado
e vai sendo levado -por vezes
deixando dissabores, por vezes
lembranças de amores - enquanto o novo
vento chega mais forte, mais calmo
numa época em que o sol nunca se inibe
onde a areia é feita de cama
e árvores servem de teto e cabana
Nessa época a nostalgia invade
num surto de tarde-boa
Então os olhos se fecham de cansaço
e o corpo adormece molhado
marcado, dourado
Aí vem o Verão
esses poetas insistem em ser lineares
não
entendem
que são
por completo
frag
men
ta
dos

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Bad Trip

Good Trip se retou com minha cara
fez as malas, foi embora
deixou a porta escancarada
e entrou uma descarada que
não quer mais ir embora

domingo, 3 de outubro de 2010

Sunbath

Entregado ao Sol
a luz toca seu corpo:
surgiu uma nova estrela
- reluz um dourado
puro ouro, jóia rara
emite calor

Há um frio dentro de mim:
sorrateira, me infiltro
embaixo dessa estrela
quero me aquecer nesse Sol

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Planos Pertubam Sonhos

Formamos uma dupla:
demos partida no motor
que é movido de esperança
e vontade. Entramos num
trem errado, mas nem assim
dizemos em voz alta qual é
o caminho certo.
A locomotiva trilha um
caminho nada exato mas
seguimos com braços abertos.
Sem destino até chegarmos
ao destino certo.

Dedico ao Gennie.