Quando acordou naquela manhã, percebeu que a caixa estava aberta. A Caixa. Aquela que mantia lacrada, onde escondia (preferia a definição guardava) todos os seus sentimentos. Quem abrira a Caixa? Quem teve a ousadia de procurar a chave para abri-lá? Sabia onde estava tudo, tudo que precisava.Se precisasse de amor, de melancolia, de raiva, de felicidade, sabia em qual canto da caixa estava. Sabia exatamente onde ir buscar.
O que faria? Com ela aberta, seus olhos estavam abertos de medo. O medo importunava ao saber que tudo estava livre. Não possuía mais o controle. Quem abriu? Não! Não pode pensar, não pode sentir absolutamente nada enquanto não encontrasse outro cadeado. Mas o que estará fazendo agora o infeliz que assiste ao seu desespero? Por que o fez?Não sabe a aflição que causa? Aflição! Estou sentindo, não posso! Ladrão! Saberá onde está tudo, assumirá o controle, irá me manipular. Sentia o sangue correr freneticamente, sentia a intensidade das sinopses, sentia o medo entre a visão e o tato. Sentia!
Enquanto isso, vagando em sentimentalidades, o Larápio se divertia ao tocar os sentimentos. Era como cócegas, o fazia rir. Entendia o medo como adrenalina, a raiva como amor e sentia-se feliz, mais que nunca, ao perceber que fazia o vazio se preencher e sentir. Sentir!
Ainda pensando nas possibilidades, aproximou-se da caixa, vasculhou cuidadosamente cada espaço e levou um susto, um choque, como luz invadido com intensidade os olhos acostumados ao escuro, com a doce verdade: havia guardado o ladrão dentro da caixa, ao lado da chave.
Sensacional! Me inspirou isso ae! Sté cada vez melhor nos pensamentos!
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