quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Devaneio em busca da reciprocidade

Amava, só não sabia quem. Perdia-se numa busca sem sentido. Chegara a confundir amor com amizade, amor com a saudade. Tinha a certeza por horas, até que uma hora tinha certeza de ter invertido os sentidos.
Sentia-se presa, limitada, incompreendida. Faltava algo, sem dúvidas. Tinha dúvidas que não ousou questionar. Questionou retóricas. Questionou e não houve resposta. Sabia entender, mas não a entendia. Sabia refutar, mas não seus próprios argumentos. Tinha culpa mas não era totalmente culpada. A vida nunca favorecia. Sonhava, choramingava, abafava. Lamentava no escuro o 'eu te amo' que nunca escutara de bocas que em seu corpo roçara. Cada dia mais amargurada.

3 comentários:

  1. eu gosto que cada palavra do seu texto é impactante. se tirar uma, já faz falta. esse início tá incrível.

    ResponderExcluir
  2. Sensacional! Tô gostando do que estou lendo aqui! Virar seu leitor, certeza!

    ResponderExcluir