quarta-feira, 21 de julho de 2010

Casulo

Jogaram concreto em seu corpo vivo
virou estátua, enfeite de praça
tudo fez-se pedra, concreto, cinza
observava tudo e não sentia nada
até que um dia choveu
tanta água que o concreto amoleceu
caiu, quebrou, sua casca se desfez
voltou a sentir, a sorrir, a chorar
voltou à praça e quebrou todas as
outras estátuas

3 comentários:

  1. Menina! Que talentão gostoso! Esse texto tá muito manero.
    Uma hora a gente se liberta. O bom é que nós, poetas, impacientes(?), contestamos tanto a coisa e não nos contentamos com essa jaula de pedra que nos desprendemos. Descobri esses dias que a jaula de pedra é supercomum na nossa idade, e a quebra dela logo em seguida também. Às vezes parecia ser sem fim, né? Nem foi.

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  2. discretamente
    me transformei
    em concreto
    virei pedra
    estátua
    coração de lata
    tatuada pichada
    fiquei assim
    por um tempo
    virei monumento
    público zoado
    sem algum
    sentimento nenhum
    ainda espero
    a sua chuva
    molhar o meu corpo bruto
    acabar com esse
    duro casulo

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  3. pra eu virar
    borboleta, voar
    e enfeitar seu
    jardim com minhas
    cores alegres

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