quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Devaneio em busca da reciprocidade

Amava, só não sabia quem. Perdia-se numa busca sem sentido. Chegara a confundir amor com amizade, amor com a saudade. Tinha a certeza por horas, até que uma hora tinha certeza de ter invertido os sentidos.
Sentia-se presa, limitada, incompreendida. Faltava algo, sem dúvidas. Tinha dúvidas que não ousou questionar. Questionou retóricas. Questionou e não houve resposta. Sabia entender, mas não a entendia. Sabia refutar, mas não seus próprios argumentos. Tinha culpa mas não era totalmente culpada. A vida nunca favorecia. Sonhava, choramingava, abafava. Lamentava no escuro o 'eu te amo' que nunca escutara de bocas que em seu corpo roçara. Cada dia mais amargurada.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Estanho

Trago à parede imunda
a beleza das palavras
que limpa o papel
e encarde as cores
impregna o cheiro
nas entranhas, nos poros abertos
almejando à entrada das impurezas
porque beleza é sujeira
branco demais é paz
ou simulação da morte

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A Madrugada

a parte escura do dia
a transição
a amiga da insônia
a maioridade dos canais

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Oscilação

De onde vai
pra onde vem
a janela quebrada
o vendedor de dvd pirata
o calor que embaça e deixa
a estrada molhada

De onde vai
pra onde vem
o medo cansa
mente é liberdade
arroz e feijão

De onde vem
pra onde vai
a filosofia é vida
a vida oscila
a filosofia da vida oscila

Pra onde vem
de onde vai
a vida vaaaai e veeeem
vá-vem ou vai-e-vem

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Noite calada na calada da noite

Na calada da noite me perco
que no escuro eu nada vejo
me ponho a enxergar
calada em devaneio
sinto além do que percebo
        escrevo calada
na noite em que me perco

Novos ditos poético-populares

Quem respira dentro d'água
está adaptado ao mar de lágrimas

Quem balança na alcova dos sonhos
dança perdido
busca ser encontrado

Quem quebra o concreto
almeja ao abstrato

Put your hands up!
       Quem?

sábado, 4 de dezembro de 2010

O real é muito chato e só serve para ser vivido.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Um Pedido

Eu sei que tua mente tá pesada
          (a nossa)
que o corpo não mais aguenta

Se achegue,
aqui não há conhecidos
só eu e você, amigos
a areia e o mar pra relaxar

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Reforçando

Em dois mil e dez eu conheci uma Chica Buarque
que ama junto comigo o mesmo homem
e, nas horas vagas, somos um homem.

Dois mil e dez

Dois mil e dez foi um ano contraditório: fui feliz e triste. Escrevi sem saber me expressar.
Eu aprendi a abrir os olhos e a fechá-los. Minha sensibilidade e dedução tornaram-se mais aguçadas. Sei enxergar sem ver. Sei descrever sem palavras.
Ninguém me entende. Ninguém entende ninguém. Eu entendo quase todo mundo. Nunca sei explicar.
Em dois mil e dez descobri que sou sozinha. Tenho amigos. Somos distintos mas sempre rimos.  Somos parecidos. São três. São mais de três.
Só em dois mil e dez entendi para quem Caetano cantava 'O Leãozinho': um poeta concreto, abstrato, urbano. Não é o mesmo, mas é ele.
Conheci também um Arcanjo poeta de bom humor inigualável, porém não tenho mais contato. Só sei que ele irá abrir suas asas e viajará por aí. Talvez um dia me conte sobre o céu.
Em dois mil e dez me aproximei de quem agora está longe: um Baterista Tropi-iê-roll de sorriso lindo que disputa comigo a  mulher mais linda, ou uma das. Sangue bom!
Em dois mil e dez me apresentaram a uma Pequena Sereia que nada por onde não há mares e que está louca pra nadar comigo. E eu tô louca pra cegá-la com a beleza imensa do mar.
Dois mil e dez foi/está bom!
Dois mil e dez foi/está péssimo - estou cega, tateando no escuro um incerto futuro que chegou muito rápido. Dois mil e dez passou muito rápido.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Acho que você me encantou
e eu não quero me encantar
enquanto você canta longe
                          de mim.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Arte Cínica

Que Vida!
Somos todos artistas
            -bons ou ruins
Pois a Vida é arte cênica
                       -cínica-
onde vive-se a função de
      não deixar a máscara
             cair

Busca

No que procuro sair de mim
entro numa busca subconsciente
para me encontrar verdadeiramente

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Meu Mundo Personificado

O vento assobia
eu sigo e danço
o mar canta seu encanto
pássaros nos acompanham
sente cócegas a árvore
que ri e aplaude
Eu sonho

Capoeira

Formou-se a roda
O berimbau estremece
O corpo todo se mexe
Quem resiste ao som?
Balança na dança da luta
Levanta poeira capoeira
Um jeito de corpo de se expressar

sábado, 20 de novembro de 2010

Rio de Janeiro

Tem de tudo
Me deu medo
Me acolha, por favor!
Me traga porque eu tô
apaixonada por uma Moça
Me envolva porque nos seus
braços eu quero ser solta
Eu quero essa vida louca
Nesse Rio eu quero mergulhar

Arpoador

Ei, Moça
me apaixonei ao passar por você
venha cá, me conta seu segredo
e deixa eu confiar em você
Ei, Moça
esse branco clareia
esse verde é de encantar
quem é o poeta autor dessa beleza
depositada em você?
Ei, Moça
você sabe que eles babam
os olhos grudam
vêm só pra te ver
Ei, Moça
me conta seu nome
- ai ela Rio e disse Ipanema
e eu fiquei das Pedras a contemplar

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Campo Grande

Talvez nem tenha batido minha onda
    mas tinha uma vibe que corria
    e do dia não vou me esquecer

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sempre Assim

Enquanto o céu está cinza
visto um azul, ouço um blues

O céu fica azul, me visto de cinza

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Cadê o Tonto?

Eu quero um conto:
             sonhei sem sonho
                        abafei meu pranto
                                      encontrei o encanto
                                                     quebrei a figa
Eu quero um tonto
que me deixe em sonho
pra secar meu pranto
e  me deixar um encanto
que sirva como figa

Eu quero um tonto pra fazer um conto sobre nosso encontro.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Transformo prosa em poesia
Transformo poesia em prosa

Céu da Boca

Caminhando pelo Céu
encontrei uma núvem
Me aconcheguei nela
permaneci debruçada
no conforto. Comi-a.

Senti um gosto familiar

Procurei estrelas pra
saber em qual céu
estava. Torci para
que fosse o céu da
sua boca

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Eu

Sou uma antítese
modernista e parnasianista
               Sou uma mentira
        não sou parnasianista
            nem sou duas caras
mas não consigo ser apenas uma

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Lixeiro

Cato todo o lixo da vida
               vivo reciclando
O que a muitos desinteressa
é a base para meu desenvolvimento
Enriqueço com o lixo dos outros
                invento sentimentos
                        vivo reciclando

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Caixa

Quando acordou naquela manhã, percebeu que a caixa estava aberta. A Caixa. Aquela que mantia lacrada, onde escondia (preferia a definição guardava) todos os seus sentimentos. Quem abrira a Caixa? Quem teve a ousadia de procurar a chave para abri-lá? Sabia onde estava tudo, tudo que precisava.Se precisasse de amor, de melancolia, de raiva, de felicidade, sabia em qual canto da caixa estava. Sabia exatamente onde ir buscar.
O que faria? Com ela aberta, seus olhos estavam abertos de medo. O medo importunava ao saber que tudo estava livre. Não possuía mais o controle. Quem abriu? Não! Não pode pensar, não pode sentir absolutamente nada enquanto não encontrasse outro cadeado. Mas o que estará fazendo agora o infeliz que assiste ao seu desespero? Por que o fez?Não sabe a aflição que causa? Aflição! Estou sentindo, não posso! Ladrão! Saberá onde está tudo, assumirá o controle, irá me manipular. Sentia o sangue correr freneticamente, sentia a intensidade das sinopses, sentia o medo entre a visão e o tato. Sentia!

Enquanto isso, vagando em sentimentalidades, o Larápio se divertia ao tocar os sentimentos. Era como cócegas, o fazia rir. Entendia o medo como adrenalina, a raiva como amor e sentia-se feliz, mais que nunca, ao perceber que fazia o vazio se preencher e sentir. Sentir!

Ainda pensando nas possibilidades, aproximou-se da caixa, vasculhou cuidadosamente cada espaço e levou um susto, um choque, como luz invadido com intensidade os olhos acostumados ao escuro, com a doce verdade: havia guardado o ladrão dentro da caixa, ao lado da chave.

sábado, 23 de outubro de 2010

Um jeito estranho de gostar

Descobri que o sentimento
não nasce e evolui
apenas com contato
Descobri que o sorriso
mais bonito não vem
do dente mais claro
Descobri que o olhar
sereno não precisa ser claro
Descobri que admiração
pode ser considerada paixão
Descobri que o acesso
pode tirar o encanto e deixar
somente a razão
Descobri muiio e não quero aproximação

sábado, 16 de outubro de 2010

Retrato

Apague as nuvens do céu
deixe-o livre e então
enxergue com clareza
o mergulho do pássaro
numa queda-livre
no azul do céu em degradê
encontrando o azul infinito
do mar que espelhou em
suas águas um retrato do Sol
para se aquecer

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cordas Vocais

A voz foi feita pra apoiar
pra encantar, pra dopar
o corpo de conforto
por isso, quando estiver
caindo num processo
imaturo e ilusionista
que te faz perder
o sentido da visão
segure-se nas cordas
das vozes e busque nelas
se prender
Amarre-se nas cordas vocais

domingo, 10 de outubro de 2010

Espírito Santo

Por algum motivo
o vento me trouxe
para cá
Por algum motivo
o vento quer me
levar de volta
para lá
Por algum motivo
meu coração não
sabe onde ficar

sábado, 9 de outubro de 2010

Adrenalina

Caminho com pedras:
perigoso e excitante
é a adrenalina quem
impulsiona o sangue
bombardeia o corpo
entope veias, artérias
rompe os frágeis capilares

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Negro da Pupila

Numa montanha, enquanto o sol se deitava preguiçosamente, disse:
- Sorria e olhe em meus olhos.
Olhou e sorriu sinceramente
-Viu?
-Sua pupila dilata
-É que eu te amo. Queria poder ver a sua.
-Meu olho é escuro e misterioso feito o universo.
-Tem Sol no universo, e ele aquece e clareia tudo. Se eu eu trouxer o Sol mais brilhante...
Naquele momento o Sol invadiu o olhar e o preto se tornou o castanho mais claro que pôde. Sorriu, e quando percebeu, o castanho se tornara preto novamente, mas desta vez foi de tanto que a pupila dilatou.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Primavera, Verão

Já se pode ver a flores
o dia mais vivo, o verde-cana
o vento tem sabor de passado
e vai sendo levado -por vezes
deixando dissabores, por vezes
lembranças de amores - enquanto o novo
vento chega mais forte, mais calmo
numa época em que o sol nunca se inibe
onde a areia é feita de cama
e árvores servem de teto e cabana
Nessa época a nostalgia invade
num surto de tarde-boa
Então os olhos se fecham de cansaço
e o corpo adormece molhado
marcado, dourado
Aí vem o Verão
esses poetas insistem em ser lineares
não
entendem
que são
por completo
frag
men
ta
dos

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Bad Trip

Good Trip se retou com minha cara
fez as malas, foi embora
deixou a porta escancarada
e entrou uma descarada que
não quer mais ir embora

domingo, 3 de outubro de 2010

Sunbath

Entregado ao Sol
a luz toca seu corpo:
surgiu uma nova estrela
- reluz um dourado
puro ouro, jóia rara
emite calor

Há um frio dentro de mim:
sorrateira, me infiltro
embaixo dessa estrela
quero me aquecer nesse Sol

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Planos Pertubam Sonhos

Formamos uma dupla:
demos partida no motor
que é movido de esperança
e vontade. Entramos num
trem errado, mas nem assim
dizemos em voz alta qual é
o caminho certo.
A locomotiva trilha um
caminho nada exato mas
seguimos com braços abertos.
Sem destino até chegarmos
ao destino certo.

Dedico ao Gennie.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Exclusividade do Litoral

Me enche de energia
a umidade dessa areia
essa brisa que me penteia
o tato no ato de tocar
o olfato que me cheira
a maresia que me beija
e me deixa a relaxar
Não se descreve a sensação
nem a poesia de quando bate
a maresia trazida entrelaçada
ao ar

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dorme

Dorme que a hora passa
que o choro cessa
sede não engasga
que o corpo eleva
que o olho fecha
realidade morre
que a morte é certa

domingo, 26 de setembro de 2010

Caetanear

Deixar livre o pensamento
aberto pra dentro e pra fora
com filtro anticonvencional
Comer as palavras, injetá-las
no sangue e se dopar
Berrar, arranhando a garganta
Soar, transpirar alegria
fazer sorri a monotonia
deixar a tristeza pra poesia
Ser livre, Ser firme. Ser!
Rodar, Pular, Cantar, Comer
Viver, Sonhar, Abusar, Querer
Chamem todos que não seguem padrão
Para juntos
Tropicalizar
Caetanear

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Aceita-se um Abraço

Procura-se um abraço
que seja espontâneo,
quente, sincero

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dezessete

Só não achei dezessete
palavras para poder descrever
o que isso, para mim, quer dizer.

sábado, 18 de setembro de 2010

Maiúscula Alegorizante

Poetas...
aqueles que domam
as palavras e as prendem
em forma de sentimentos
compartilhando com alguns
o que o coração fez a mão
escrever voluntariamente
(com participação da mente)

Poetas...
transformam abstrato em concreto
(fazem o inverso com a mesma facilidade)
transformam sua vista, te fazendo
enxergar o que você nem sentia

Poetas...
vivem exagerando até no que não viram
mas é isso que os tornam diferentes
e afirmam com convicção
que se tudo conhece, sobre nada se escreve
(mas amam escrever sobre o Nada)

Poetas...
eles sabem que nada sabem e gostam disso
eles gostam de supor, de imaginar, de acreditar
seu sobrenome é Deduzir

Poetas amam (e como)
Poetas são Gente
(só não são Comuns)

Poetas sempre usam a Maiúscula Alegorizante
(e só eles sabem o porquê).

Um Fim para um Começo

Então, por fim, acabamos
seguindo trilhas opostas
tão tolos nós somos!
esquecemos o formato da terra
Era apenas o começo

domingo, 12 de setembro de 2010

Gosto desse jogo pelas partes do corpo.
Dessa conexão súbita, dessa necessidade
complacente de um a outro.
É de uma significancia preciosa
quando membros (iguais ou diferentes)
se atraem, completando-se harmonicamente
numa atração sem necessidade de cargas opostas.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Percepção dos Sentidos

A legião de cores
invadiu as ruas
coloriu as pessoas
as calçadas da vida
Cores colorem amores
era tom, som, cor
são tons, sons, cores
amores

Boca

Sabe-se que existe a boca
essa parte presa ao corpo
que escapole segredos da mente
Ela mente sobre a mente
a verdade é que ela entende
o que a mente aprende
e o que o tato não sente
Mas ninguém sabe o que
se esconde entre
a boca
e a
mente

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Música

o remédio para todas
as doenças humanas
não está contido num
frasco transparente,
nem em pílulas que dopam
e entorpece o corpo:
está contido na voz
que surgiu no pensamento
e na melodia que veio
correndo ao seu encontro.
Fizeram um elo e juntos
bailam em diferentes tons
e ritmos de acordo com
o palpitar de cada um.

O Som

Libera vozes em espirais
entra no inconsciente
transversal, paralelo
no conforto da voz de onda
que se propaga em carência
de retorno
Cadê a recíproca?
Pergunta retórica

Os Grandes

Vamos aplaudir o caos
que tomou conta das cores
Crer em Deus e nos horrores
dos serem estúpidos humanos
Vamos nos jogar do
arranha-céu de unhas grandes
esmagar os sentimento
e deixar o coração
soluçar de choro e dor
até que ele morra seco
sem amor no novo mundo
sem paz, sem cais
É o que eles querem
Eles querem
Eu não!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Admirável Mundo Novo

Conflito subsistente anti-heróico
nada de palavras, nada de poesia
apenas exercício hipnopédicos
das frases feitas em caixas de som
pros bebês feitos em bocais
nascidos sem dor, predestinados à morte
Voz é humano, é hipnose
Cegaram os olhos abertos
padronizaram nomes
inventaram soma
padronizaram cores
deram soma
padronizarão um grama
um grama de ração humana
pros robôs, humanos industriais
Nada de moral, isso é imoral
Valores são caros
Amores são antigos
Família é proibido
Livros estão perdidos
trancados em juízos
Solidão é um perigo
Pensamento não germina
Ford não permite, Oh, não
desrespeito à convenção
Dê a ração, dê a ração
pra esse animal instrumental
sem doença e sem amor
ainda não são robôs
eles são robôs por alguma razão
Deram um grama, mas o Selvagem
não aceitou
Ele conhecia o amor e terminou
na solidão

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Raiva e Medo

A mente dá nó quando se tem
tão pouco tempo e um leque de
opções e possibilidades pra
somente uma conclusão, que não é certa.
O coração, nesses momentos, só conhece
a aflição e o medo.
Medo do nada, do tempo
E o tempo não te dá nada, nem mesmo tempo.
É ai que entra a raiva

domingo, 29 de agosto de 2010

Eu sinto falta
da tua poesia
que completava
a minha poesia
Eu sinto muito

Odara

Sou tão leve
que o vento,
meu amigo,
me carrega
e me leva
pro longe
Só assim
vejo do
alto quão
pesado são
os homens

sábado, 28 de agosto de 2010

Sorrisos

Sorriso
contagioso, radioativo
efeito dominó constante
prendidos em soluços
Quando não sai pela boca
é o olhar quem rir
Ninguém se contém em pé
Que delicia esses sorrisos
gargalhadas entre amigos

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Caso Imoral

Esse estranho amor
vive feliz sendo feito
de palavras sujas
Dois vadios queimando
o corpo com o mesmo fogo
que acendem o cigarro
Imprestáveis, jogados
no lixo, esbaldam-se
na podridão dessa
profusão de sonhos
Cospem a poesia que
rasga a garganta com
palavras brutas, sujas de amor
Desse amor que é como de um marginal
que vive vagando pelo caos e
sente-se recompensado com a dor
Esse amor afoga-se na saliva
das frases feitas de doçuras
mas deixam a língua amarga
satisfeita com a compostura
Esse amor é pureza total
orgasmo é mais que carnal
é puro nirvana
Esse amor não quer ser
como as cinzas imundas do que
restou quando tudo se queimou
Esse amor é clandestino demais
pra se expor à luz do dia
é gato de rua, faz barulho
cantando pra lua à noite no telhado
Esse amor é amor e amor
ama essa dor porque faz dela
mais uma poesia clichê
que é o amor, esse amor

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Jean Charles

Meu nome é Charles, Jean Charles
e eu fugi pr'uma nova pátria
onde tem red bus
fui pra ganhar umas pounds,
but I have not forgotten of Brazil
Meu nome é Charles, Jean Charles
e eu gosto de pão de queijo, uai!

Seu nome era Charles, Jean Charles
Fugiu da falta buscando exímio
pobre doce homem-menino
padeceu na dura amargura do fim
desse triste seco fim
His name was Charles, Jean Charles!
You listen me, now, damn?
Quantos mais sangue será preciso
pra demonstrar esse podre poder?
His name was Charles
mas não foi o príncipe
Seu nome é Charles, Jean Charles
mas não pôde aceitar suas sinceras desculpas
não teve as libras em sua conta
Seu nome era Charles, Jean Charles
que embarcou no metrô da linha errada
da Londres que é sempre limpa
His name was Charles, mas não era inglês
E foi por isso, talvez

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sem palavras

O encanto despedaça
dissipa quando a
voz se cala num
silêncio importuno
Fala alto, esquece
quando o escuro une
da forma mais harmônica
Sem pressa do dia
dorme com a cabeça no peito
Sempre quis as palavras de um jeito diferente
Aproximei minha idéia do meu querer
Junto pensaram e logo tudo se transformou

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Neo-tropicália pt. II

A deidade do torpor libera um ardor
integra a poesia que ria com fervor
calor impondo temor, alcool no motor
Tentanto supor com maior vigor
quem sugou o sabor do rumor que aflorou
Vigorou o doutor que me deixou a compor

Neo-tropicália

Eu-lírico onírico satírico e empírico,
da calma alma na lama da cama,
de palavra para a lavra,
viva a tentativa ativa alternativa que saliva e deriva
o penhor do louvor ao torpor com fervor.


Feito por Pedro Henrique, quando o súbito prazer da poesia
tropicalista bateu-lhe à cabeça como a brisa do vento vagando
na mente.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Estranho distúrbio

Que absurda é você
saudade
Habita-me assim
de súbito
Não diz do quê,nem
a quem
Aflige-me da forma
mais louca
Ando a perguntar
corro
Gritando com a voz
já rouca
Eu aceitaria se eu
soubesse
Ah! mas se eu soubesse
não seria
não estaria
só cantaria

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pitchulismo

Um futuro próximo
um movimento livre
de pensamentos livres
de imaginação fértil
entregue às formas
da letra, cor e som
um movimento de suor contido
mas não inibido
um movimento invertido
pura façanha que cai no abismo
Me entreguei ao Pitchulismo

Never More

Com lágrimas forçadas
e palavras pensadas,
declaro-me sociopata
Guarda-roupa de mim,
com mofos e baratas
Jogada num canto
balsâmico do quarto
que me tranca em
prazeres dúbios
com cor, sem cor
de cor sapateio
ritmado com mentiras
verdadeiramente sinceras
Sem lágrimas forçadas
e palavras pensadas,
declaro-me humana
sentimentalista
pupila dilatada
sem mentiras

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Evaporação de sentimento

Todo processo tem que entrar em harmônia
Encosto meu amor na sua indiferença;
deixo tudo tépido, até que tiro o sol
por detrás das nuvens
Nos dias lindos e limpos,
foi ele quem aqueceu
Nunca, jamais tempo feio
Mas foi tanto verão que tudo evaporou

Transcrito

Exerço a função
do coração aguçado
que exige a exposição
dos pensamentos e dos
sentimentos intensos

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Clarear

Quando as palavras se escondem
pelo infinito das sinopses, eu choro
Sei que elas só aparecerão
quando eu abrir um novo dicionário
porque elas querem fazer par
com seus sinônimos e refutar
seus antônimos

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Tese

Barquinho,
navega pelos mares
que é vida
equilibra o que abriga
sem se perder na imensidão
Guarda o calor da luz
pra quando tudo estiver
escuro tomar um rumo
seguir sem frio
Surfa pelas ondas da vida
que sempre grande quer vencer
Sai vitorioso do Cabo das Tormentas
adormece com a esperança explícita,
a vontade de vencer
Vagando pela vida
indo à felicidade
Quem pilota? Quem tripula?
Nem todos sabem

domingo, 8 de agosto de 2010

Escapei pela brecha dos minutos

Coloco um fone e viajo
Entro em transe de sonhos acordados
Objetos, Pessoas, Paisagens
Conforme a música eu mudo
num mundo imaginário
Quem sou eu? O silêncio
O todo e o nada
A brisa que ecoa em ondas cerebrais
Tiro o fone, a viagem acaba
Só restam barulhos infernais

Zumbi

Seus sonhos foram dilacerados
Gritava ele por sussurros com a boca
ensaguentada totalmente em vão
O seguia chorando, vendo seu coração
roçar no asfalto com britas
uma dor estorneante!
Sentia seu rosto sendo rasgado pelo frio
sentia seu amor saindo pelas entranhas como suor
sentia a raiva dominar sua mente
e finalmente sentiu o aroma do medo dele
Andou em passos largos e tortos
agarrou-lhe pelos pulsos e
arrancou-lhe
um beijo
sincero
recíproco

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mel

Escorrego pelo teu corpo nu
me enveneno nesse doce olhar,
produto das abelhas
Na sua pele madeira avermelhada
construo minha casa, nosso elo
Tons, vários tons
quando sua voz sussurra
um estímulo proibido
para outros ouvidos
urro de prazer

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Impressionismo

Afaste-se de mim, Ser
e então verás os pingos
e borrões tomarem forma
Afaste-se! Impressione-se!
Sem nexo criativo
imaginário exposto
Afaste-se! A perfeição
nem sempre se enxerga
de perto

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fotografia

A imagem com luz
captada pela perfeição
Surrealista do olho externo,
junto à inteligência do interno:
abstrato que tomou forma
Fica guardada na memória concreta
mas nunca se apaga da interna que
sentiu fluir a idéia que se tornou
retrato

domingo, 1 de agosto de 2010

Futuro

Essa vontade de abraçar o sol
andar numa bicicleta de 4 rodas
cair na estrada cinza
conhecer gente bonita
gente perigosa
esse infinito
esse mar lindo
levantar essa poeira
Ah, essa barraca
essa mochila nas costas
carregando o peso dos sonhos
da fome
essa bagagem de amores
dos portos vários
em que ancorei
e jurei amor eterno
aos marinheiros viajantes
mal sabem eles que eu
sou também

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Primeira pessoa do plural

Canta essa voz pura
declama essa poema de dois
destrincha esse ódio
jogue no colo
aninhe-o
pegue a faca
corte fundo
deixe profundo
esse sangrar aberto
desse peito forte
massacrado de amor
canta, faz da música poesia
faz poesia da música
faz melodia desse amor
pra bailar a noite toda
e ao dia, quando o sol
nocautear seu corpo
se jogue por cima
da sombra que te
dá prazer

terça-feira, 27 de julho de 2010

Vidro

É a semelhança
do espelho sem aço
que se torna apenas
vidro transparente
Basta olhar fundo
em seus olhos que
penetro num túnel
de deduções

domingo, 25 de julho de 2010

Caixa Hermética

O ponto de acesso
ficará no topo
daquele prédio
escolhido recebendo
sinal dentro da caixa
aquela protetora
que impede a chuva
e impede você do
acesso fácil

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Urban jungle

Um Leão, selvagem
que abre o caminho
das matas para a
Virgem sedenta de
conhecimento do mundo
e a Libra, moeda de
peso, equilibra esse
jogo do mundo animal
sem concreto

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Casulo

Jogaram concreto em seu corpo vivo
virou estátua, enfeite de praça
tudo fez-se pedra, concreto, cinza
observava tudo e não sentia nada
até que um dia choveu
tanta água que o concreto amoleceu
caiu, quebrou, sua casca se desfez
voltou a sentir, a sorrir, a chorar
voltou à praça e quebrou todas as
outras estátuas

terça-feira, 20 de julho de 2010

Lara alto astral

Loira de olhos verdes
encontra meus olhos negros
ela é meu contraste
sabe meus segredos, meus amores
minhas dores; ela sabe
Me acompanha
desde os tempos de criança
desde os tempos da banda, da bola
Choramos, ainda sorrimos
trocamos autoestima e estamos aqui
com planos diferentes d'outros anos
rindo de novas piadas, sendo nostálgicas
lembrando do cheiro que as árvores exalam
no verão à volta da quadra azul

domingo, 18 de julho de 2010

O que escrevo não são poemas, são apenas textos.
O diário de bordo de minhas sinapses, a peça onde
não descrevo fielmente os personagens, o baile de máscaras.
Se tornarão poemas com o tempo,
mas isso não quer dizer que hoje não sou poeta:
isso só servirá para dizer que fui, sou e serei.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fantasmas ao ouvido

Têm fantasmas ao meu ouvido
Tem sim! Vejo-os perambulando
Têm vultos passando de um lado
pro outro, atordoando meu pensamento
plantando frutos de idéias
recolhendo minha imaginação
induzindo meus passos cegos
escrevendo o que eu não quero
o que quero, o que pensei em querer
Têm fantasmas na penumbra
me passando uma mensagem
indecifrável, me usando à escrita
sussurando num sopro seus desejos
Eu obedeço e escrevo seu deleito

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Poeta

Fala do céu
como se o tocasse
das estrelas
cadentes, do-mar
dos mares
como todos mansos
das crianças (são várias)
com nostalgia pura
fala da boca carnuda
que sugou seus lábios
temperados
Fala de si
sem estar ali

Ali na esquina

o acarajé tá bem apimentado
causando fogo e despertando a paixão
ou será essa a desculpa pro amor descarado?
só sei que tá barato
então enchi meu prato
e comi você

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Má sorte

Havia uma figa
transparente
brilhante
me fazia feliz
mas quebrou

Porta trancada, desejo aberto

Constantemente se ouve os estalos
do objeto que apóia os corpos
O som é inconstante, os movimentos
são bruscos, percebidos à sombra
Sente o libido correr freneticamente,
agitado como o sangue pulsando
fervorosamente, quase rompendo a veia
O braço forte pressiona a força do desejo
A mão amiga acaricia os corpos relaxados
entrelaçados num nó cego, dado

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sou eu quem fala, coração

a magreza infinita
estampada na cara de
caveira que sorri
com dentes tortos
e se você vir
grite por mim
eu vou atender

domingo, 11 de julho de 2010

Tagadisco

O refletor que sempre apagava às nove
esxpulsava a felicidade
e despertava o ódio
de jovens crianças na quadra azul
(a mesma de antes)
que agora saiam reclamando
batendo à porta do síndico
descontando sua raiva num banco
ou numa areia próxima
onde haviam dois balanços
que serviam de rede
e nessa areia se cantava
adivinhe o nome da música?
agora passe pro outro lado

sábado, 10 de julho de 2010

Sem papo

Enquanto meu dia amanhece
irradiado pelo sol e pela brisa
que entra na minha janela
trazida pelo mar
Suas luzes se apagam
para um sono profundo
num sistema invertido

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Julho

ele chega feliz
cheio de risos e
dentes estampados
na cara
e o que sobra
de tanta felicidade
é a armagura de vê-lo passar
sem nada que o segure em mim
sem lembranças futuras
nada que me faça ser saudosista
de julho

terça-feira, 6 de julho de 2010

À toa

Minha vida vadia
de regras
sem regalias
suplicam pela liberdade
de seguir a linha descontínua
e alinhar-se ao amor puro
do amigo obscuro
que encontrei na estrada
buscando a mesma felicidade
com direito a vento na cara
e fogueira pra aquecer

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Tão cedo

Garoto, tenho uma coisa pra te contar:
acordei de um sonho louco, onde uma mulata
aparecia subindo uma ladeira com uma criança branca
de olhos claros no colo e me chamava de amor
Disse que eu era sua preta, que me dava comida
e cuidava de mim.
Eu sorria assustada, com a cara lavada perguntei o que fiz
ela veio e me deu um tapa perguntando se eu não lembrava de nada
Ela disse que tínhamos um filho, se chamava Carlito e era semelhante a mim
Perguntei se era a criança branca de olhos claros que sorria sem fim
Ela confirmou a história e queria me levar pro nosso barraco no alto do morro
eu ficava estupefata, absorvendo a história e pedindo socorro
E para minha surpresa a criança ficou negra e me chamou de papai
agora saia do colo, não tinha menos de 5 anos e corria sem paz
Perguntei que mundo era esse onde duas mulatas tinha um filho
que nascia branco e sorrindo
E a mulata de pernas torneadas já estava retada e esfregou a folhinha na minha cara;
MEU DEUS! 20 de Setembro de 2024!

Fragmentos do Cotidiano

tô super por fora de barra
você aguentou os dois?
que linda, sobe
para de me olhar assim
aquele negócio que eles fizeram?
pode ser maior
pegando trechos
Tá bom?
té aparece
do que que ela tá rindo?
eu vi

domingo, 4 de julho de 2010

4 do 7

Tudo
nessa porção norte
da América
veste-se de um azul
vermelho e branco
e o sangue circula
mais forte.
Nunca vejo,
num 7 do 9
numa porção sul
dessa América
ninguém verde
amarelo e azul
e o sangue que vejo
é o comum da morte

Besos, Pablito

Suas camisas personalizadas
são pretextos que encontrei
para olhar de relance
seus olhos meio grandes
atrás de uma bancada
servindo a mim
mas não só a mim
nem servindo o que quero
São pretextos pra mostrar
meu tom de voz, meu sorriso bobo
Sou tolo, sou lobo
sou feroz com sua voz
E meu sorriso encanta
um brilho envolta
nos 20 minutos
que estou à sua volta

Delírio

Quero ser alternativa
tropicalista de mão cheia
enxergar formas
quero ser down, bêbada
quero ser como cazuza
e ser contaminada pela beleza
Quero ver o caetano
e sentir o gozo
e dizer que não caibo
em mim de tanto sim
e quero dizer não ao não
dizer que é proibido proibir
Quero o veneno da maçã
escorrendo em minha boca sedenta
quero meu caminho cruzado
torto, desalinhado
cheio de entorpecentes
cheio de alma
irradiado de calor
iluminando a aura
de abrigo
de árvores com frutos
Quero me alimentar de desejo
quero beijos, abraços
prazer da carne
queimando um pefume
numa música mental
que pede bis junto
à fumaça eloquente

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Escapou um leve sorriso

Lastimo em ironia e
com a gota salgada
que cai do olho
traduzo a chuva
Com a secreção escorrendo
do nariz imundo
faço minha desculpa
Minha tristeza e pessimismo
transformo em poesia
e tranco no papel
E que tudo conspire para que
não saia de lá

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pulei da pedra e nadei até lá

Hoje descobri
que na cidade maravilhosa
à esquerda do Arpoador
há uma praia linda
que tem por nome diabo
e deus que me perdoi
os diabos que eu já
imaginei em fazer lá

Um tanto de revolta

Que idéia é essa de que idéia não tem mais acento?
Minhas idéias seriam simples ideias sem entonação?
Como vou dizer que apóio, se agora sou um apoio?
Como vou comer uma pêra, se ela é uma simples abreviação de espera?
Como vou dizer que sou anti-social se agora, por regra, estou junto ao social?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Casei com um argentino na Copa de 2014

Casei com um argentino e causei polêmica.
As pessoas me olhavam torto e com ferocidade
Casei com um argentino de coração tropical
apesar do frio de Buenos Aires
Casei com um argentino. Misturei raça, cor e cultura
Casei pra juntar idéias e roçar língua
Casei pra beber café no frio e água de coco no calor
Casei pra andar de mãos dadas na praia e abraçados na praça
Casei pra ver o final da copa no Maracanã
Casei e fui feliz.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Roseiras no Quintal

Bons sentimentos
exalam alegria e
inspiram a cantar
como o passarinho
na janela do quarto
numa manhã de sol
acordando-te com
calor, luz e som

Eu Xilema

Seus acúleos de proteção
enganam-te segurança
Não esqueça: sou a seiva bruta
correndo desde a raiz

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Por contato ou simples indução

Vem transparente
de cara limpa
ardente
Vem sem mãos atadas
abraçar o infinito
Vem transpirar
deixar o corpo quente
Vem que dou abrigo
e te deixo voar
Vem causar atrito
eletritizar
permitir as cargas opostas
Vem que a atração agora é obrigatória

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sexta

A lua cheia brilha lá fora, agora
reluz intensamente sua luz no mar
e faz os peixes virem até a superfície profunda
como um desenho feito por uma criança
tentando desenhar o pôr do sol
o céu azul escuro tem pontinhos
designando as estrelas
e a vontade imensa

Baixo Astral

A quadra azul abrigava
velhas crianças vivas
e mortas de fome
Sem paixão
sem decência
com carência de afeto
materno, paterno
ou simples afeto
E quando raiar o dia
outras crianças
vivas, novas e sem fome
aparecerão
e não verão as velhas
da noite bonita de verão

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Falando de mim

Eu queria nascer com um dom perceptível, explícito, bonito.
Eu queria um amigo que entrasse na minha casa sem hora marcada,
pra rir e chorar. Sem hora marcada pra sair. Um pra ter ficado com medo das histórias de terror quando pequeno e, já jovens, não dormir.
Mas o que eu mais faço é sorrir sozinha com as histórias inventadas
pela minha mente, onde mora meu irreal meu melhor amigo, Afonso.
Talvez esse seja meu dom.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Agente

A gente vai
faz
espia
luta
procura
captura;
Agentes somos

Sem palavras

um Olhar
um Sorriso
um Abraço;
O que posso escolher
quando o olhar desperta
o sorriso intensifica
e o abraço entrelaça?
Os três.

sábado, 19 de junho de 2010

Céu

Chamo de maria-flor
com olhos tentadores
e seus caracois
balançando
toinhoinhoin
não é céu azul
mas cega
de tanta beleza
Canto de Iara
é bem mulher

O quarto

Branco
com uma janela
e dois combogós
onde corre sonhos
entra e sai a vibe
corre a música
a letra
e o dente cravado
no travesseiro

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Help desk

Eram 05:20 daquela manhã que começava gélida, mas nem tanto quanto a anterior. Abriu os olhos num impulso, passou a mão na toalha e se arrastava até o banheiro. Lembrou-se do café. Arrastava-se agora até a cozinha: cadê o pote, o filtro? Colocou o café pra fazer. Voltou ao banheiro, pensou na ligação que esperava de alguém que não sabia quem e nem lembrava o por que. Acabou. Tomava o café acariciando o pelo da cachorra, meio aleijada, que implorava carinho e pão. Desceu, passeou, voltou; 06:20 agora. Saiu de novo.

Um abraço e tchau!

Suspirei ao vê-lo
toquei seu corpo
nem preto, nem branco
nem frio, nem quente
mas de cor bonita
e de calor aconchegante
Suspirei ao sentir seu perfume
meio bruto, meio cítrico
meio doce
mas o cangote
já havia sido marcado
não por mim

Parei

Tenho que parar
e descobrir o mundo
ser direta e subliminar
Tenho que parar
as repetições,
minhas redundancias
Tenho que deixar
minha ironia
Tenho que parar
de falar de sonhos
Tenho que parar
de parar

segunda-feira, 14 de junho de 2010

chmod 750 arquivo.txt

o dono terá permissão total,
o grupo permissão de leitura e gravação
e outros sem permissão alguma.

O mar de Itapoã

A maré estava vazia e eu,
entregue ao medo,
da beira nunca passei
A onda se arrastava, vinha até mim e
levava a areia sobre a qual me apoiava
deixando um buraco que cavara com meus pés
A maré subiu, as ondas se intensificaram
inconstantes os passos, aprendíamos seu compasso
e os meninos se entregavam, entravam pedindo a benção
da Sereia

Irradiava o sol sobre os homens agora
Envenenavam-se no agitado veneno das águas
Mexiam-se ao balanço delas
Abraçavam suas ondas
Nadavam em seus seios
Já com a certeza da proteção
Agradeciam satisfeitos

Oh, Itapoã!
Nas suas água só entra quem pode
Em sua briga só disputa quem é forte
e não lutam sem reverenciar a Sereia
Ah, Itapoã!
Por tempos você foi meu sonho
mas me contentei a catar as conchas
e ouvir nelas o barulho do teu mar

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Domingo de manhã não sai pra caçar rã

O pelo da cachorra se misturava com meus cabelos
e ninguém sabia quem era o que
Amanhece, vó chama na ponta da escada:
Téu! Acorde, Téia!
Gonzaguinha cantava baixinho na vitrola, como sempre
'O QUE É, O QUE É?
a mesa posta, a fumaça saindo do cuzcuz
a fumaça do café, da banana da terra
a mesa riscada com vários nomes assinados
a cachorra rosnando me pedindo comida
eu comendo, dando pedaços a ela
eu não tinha obrigações e nem tinha o que fazer

terça-feira, 8 de junho de 2010

Know

Meu saber é irregular
Sei que sei
digo que nada sei
e que é a única coisa que sei
Você precisa saber
que o saber
é algo além de saber
que você é sabido

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Buraco

o jogo é duro
na mesa não jogue duque
fecha com 2000
caso não, arria com 75
se ligue no cumpadre
não foque só no morto
cate da mesa
cave
olhe o cava
não se esqueça da batida
conte as cartas
15,10,5

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Dois

Brincávamos de franceses
Dizíamos bonjour, merci, pardon
De súbito virou inglês
Ele disse stay here
Eu disse stay away from me
Continuei francesa, ele inglês
E então brigamos uma briga de burguês
Foi-se dizendo bye
E eu, aos prantos: restez, s'il vous plaît.
Sarcástico, sorriu: français non, Mlle!

domingo, 30 de maio de 2010

Misunderstood

Olhei pro gringo no Pelô e disse:
- las calles aquí son hermosasm no?
Ele olhou-me assustado, tentei de novo:
- The streets here are beautiful, no?
Ele olhou estranho novamente e disse:
- Oxe, dá pra falar português não, minina? Tá perdida é? Chame o guarda, viu? Vá com godi.
Droga, ele não é.

Fatal

Eu, dando voltas e voltas
percebo que sempre passo ao lado
daquele imenso buraco
cuja força de atração é maior
que minha força de resistir
e então caio
sempre caio
não adianta tentar parar
sempre vou cair
mas gosto do quanto caio
mas por que caio?

um sábado, um domingo

Tem dias e noites
frias, escuras e solitárias
com músicas e danças
papéis e canetas
e fumaças e copos e corpos e...

Vous

Não me deixe esquecer das andorinhas
Estou cansada dos clichês
Faça-me vê-las, dê-me as com significado
Use-me com metáforas, abuse de simbolismos
Dê-me sua amizade
Conte-me suas aventuras, encante-me com você
Voz morna, declame! Poeta e poetiza
Viso a barba e nada além

Silenciosa

Escrever de novo, sem motivos
cada sentido do corpo se agita
de forma prazerosa
mesmo sem ter nada em mente
Apenas escrevo
nunca sei o que falar
silêncio predomina
As únicas vozes que ouço estão no pensamento
e tem aquela que cantarola e é mais alta que a minha
mas mesmo assim está ao fundo
ela não me atrapalha, apenas inspira

Puro Sangue

Comeram da carne crua pra sobreviver
quem diria isso de quem veio de tanta aristocracia
O sangue azul não valeu de nada
apenas o vermelho escorrendo contava

Perigosamente proibido

Tão bom, satisfatório
mas proibido
coitada, anda sofrendo
e eu aqui sorrindo
culpado? não mesmo
feliz e de olho junto
só isso